A herdeira de Rachmaninov
Se lhe aconselhasse a aumentar o volume para ouvir música clássica, provavelmente pensaria que estaria a pô-la/lo a ouvir a 5ª Sinfonia de Beethoven ou a Cavalgada das Valquírias de Wagner, certo?
Pois, não. A obra que lhe trago tem menos de três minutos e é tocada só com um piano. Sem grandes orquestras e aparato. Só com duas mãos, a magistral Yuja Wang traz-nos o desmoronar de uma montanha para dentro do auditório. Com apenas duas mãos, Wang enche a sala de trovejos, de marés revoltas de tempestade. O caso é sério. Talvez não seja única, nem a primeira, mas creio que estou a medir bem as minhas palavras ao chamá-la a mais digna herdeira de Rachmaninov.
Haverá música se houver amanhã? Relembro as palavras de Emir Kustorica sobre uma outra arte (outra?):
"My purpose is to make a movie to make you warm. To give you some heat. Now, this rational world has become a place where only what is cool is good. Do you cut the movie on the basis of the beat of modernity or the basis of the beat of your own heart?”